FATOS POLICIAIS

terça-feira, 25 de junho de 2024

JOSÉ LUIZ DA SILVA

 


JOSÉ LUIZ DA SILVA , AUTOR DO HINO MUNICIPAL DE CEARÁ MIRIM E PATRONO DA CASA DE CULTURA DE CEARÁ MIRIM

O  Autor dessas músicas chama-se Zé Luiz (José Luiz da Silva: 1915-27/12/1982), nascido em Ponta do Mato, distrito de Ceará-Mirim/RN, meu grande amigo, meu conterrâneo e meu querido parceiro. Permaneceu entre nós (Ceará-Mirim e Natal) até os dezoito anos; quando mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde serviu o Exército, cumprindo a sua obrigação com o serviço militar obrigatório.

 Na cidade Maravilhosa e no Exército, conheceu a figura também nordestina de Luiz Gonzaga (ainda em início de carreira ), que lhe deu apoio para o início de sua nova e desejada vida artística.

Sua facilidade de tocar violão lhe abriu as portas para conhecer famosos músicos da época e iniciar sua carreira de compositor.

Teve momentos de muitas dificuldades financeiras, tendo que trabalhar pesado, ganhando muito pouco para se manter no Rio de Janeiro, chegando a dormir em verdadeiros muquifos, onde compunha suas letras musicais e as vendiam a preço de “banana”. Pior ainda, era usado por “aproveitadores”, que, munidos de suas composições melódicas em nome próprio, nada lhe recompensavam financeiramente.

Gravou em 1949 o samba “Cremilda”, interpretado pelo cantor Moreira da Silva, quando ganhou o Concurso Oficial de Sambas e Marchas de carnaval do Rio de Janeiro, disputando com compositores considerados verdadeiros monstros sagrados da música brasileira: Ary Barroso, Braguinha e Ataulfo Alves. Em 1954, gravou a música “Trabalha Mané”:“É tão bom levantar cedinho/ Tomar um cafezinho com manteiga e pão/ Sair para o trabalho sem perder o trem/ Você sabe que a barriga não espera por ninguém”; interpretada por Claudete Soares, Os três do Nordeste e Os Cangaceiros, grupo musical do qual o próprio Zé Luiz fez parte.

Participou de várias produções cinematográficas dirigidas por Mazzaropi: “Fuzileiros do Amor”; “O Cangaceiro” de Lima Barreto, “Fazenda do Ingá” e “O Grande Pintor”, essas últimas com o famoso comediante Ankito. Compôs com o seu conterrâneo, amigo e parceiro Tita, o Hino de Ceará-Mirim, oficializado pela Câmara Municipal em 19 de outubro de 1973, na gestão do Prefeito Ruy Pereira Júnior.

 Em 1963, já estava de volta em Natal, depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC), no Rio de Janeiro, episódio que lhe rendeu uma sequela motora, com perda parcial dos movimentos do hemicorpo esquerdo, inclusive com distúrbios na voz. Faleceu no dia 27 de dezembro de 1982; pobre, esquecido e muito pouco divulgado no meio musical local e nacional. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério do Bom Pastor, onde repousa como mais uma vítima do esquecimento do injusto e ingrato mundo comum.

Como um bom apreciador, curioso e apaixonado pela música de boa qualidade, começo a fazer algumas indagações sobre famosos e velhos seresteiros dos bons vividos tempos.
– Tita, você conhece alguma coisa do famoso intérprete alagoano, conhecido como “A Patativa do Norte”, o inesquecível Augusto Calheiros? Os seus olhos brilharam! A emoção tomou conta do seu semblante. Fiquei surpreendido e curioso com a reação do bom violonista. Alguma coisa tocara o seu coração e a sua memória com certeza foi estimulada e aquecida.

O silêncio dominou o ambiente, e, de repente, surgiram os acordes do afinado violão, acompanhado da sua harmoniosa voz:

Vida de Caboclo: “A vida do caboclo na cidade/ É bem triste na verdade/ Nem é bom de relembrar/ O caboclo vê as coisas diferente/ Alvoroço, tanta gente/ Que se esquece até de andar…”; Grande Mágoa: “Quando a mocidade me deixar um dia/ Na solidão sofrendo a nostalgia/ Ao relembrar o tempo que passou…””; Célia:“ Andei tristonho e solitário/ Subindo o meu calvário/ Carregando a cruz pesada dessa vida”…

Entra então o depoimento de Tita sobre uma simples e desconhecida figura, responsável por algumas das mais belas composições interpretadas por Augusto Calheiros: Grande Mágoa, Vida de Caboclo, Célia, Casa de Sapê, que acabávamos de ouvir na interpretação do bom violonista do Vale.

FONTE – PONTO DE VISTA

JOSÉ LUIZ DA SILVA



 JOSÉ LUIZ DA SILVA , AUTOR DO HINO MUNICIPAL DE CEARÁ MIRIM E PATRONO DA CASA DE CULTURA DE CEARÁ MIRIM

 

O COMEÇO

            José Luiz nasceu em Ponta do Mato, distrito de Ceará-Mirim, no ano de 1915. Estudou o primário na cidade e em Natal iniciou o curso ginasial.  No ano de 1933, aos 18 anos, seguiu para o Rio de Janeiro no navio BAEPENDI, como soldado do Exército, pois devido a situação de guerra na Europa, as Forças Armadas do Brasil estavam em alerta. Mais tarde foi mobilizado para São Paulo, Três Lagoas e Aquidaurana.

            Sua aptidão para tocar violão o conduziu a conhecer músicos famosos da época, principalmente do Rio de Janeiro, onde fixou residência após deixar o Exército. Quando servia as Forças Armadas conheceu Luiz Gonzaga, que mais tarde  lhe deu uma força no mundo artístico, quando lançou o ritmo Baião no Café Nice.

 

O SUCESSO

            Em 1937 José Luiz aparece como violinista do cantor Augusto Calheiros, para quem compôs: “Grande Mágoa” e “Vida de Caboclo”. Também atuou com seu violão ao lado do grande astro Vicente Celestino, no Brasil e pela América do Sul.

            Em 1949 compôs o samba “Cremilda”, gravado por Moreira da Silva e o inscreveu no Concurso Oficial de Sambas e Marchas de carnaval do RJ, sendo o primeiro lugar. Disputaram com ele: Ary Barroso, Braguinha e Ataulfo Alves. 

            Ainda no Rio, juntou alguns músicos nordestinos e fundou um grupo regional para acompanhar nomes famosos, entre eles a cantora Ângela Maria, inclusive com participação no filme de Mazzaropi: “Fuzileiros do Amor”. Participou de outras produções cinematográficas como “O Cangaceiro” de Lima Barreto, “Fazenda do Ingá” e “O grande pintor”, estas últimas estreladas pelo comediante Ankito.

            Na década de 50 esteve em Ceará-Mirim o cantor Augusto Calheiros, que ao se apresentar acompanhado pelo grupo de José Luiz, disse que era com muito orgulho que ia cantar o seu maior sucesso, da autoria do compositor filho de Ceará-Mirim. Nesse momento seu talento foi revelado.

            José Luiz costumava todos os anos vir a Ceará-Mirim e realizava shows no Centro Esportivo e Cultural sem cobrar cachês. Demorava pouco devido a compromissos no Rio de Janeiro.

           

O HINO DE CEARÁ-MIRIM

            Quando compôs em homenagem a Ceará-Mirim, o hino da cidade, ele, segundo palavras do amigo Jadson Queiroz, estava com lágrimas nos olhos e disse que “aquele hino, era a sua maior obra, pois entre tantas que havia feito, aquela era especial, porque era a prova do seu grande amor pela terra”. Jadson foi presenteado com uma cópia do hino, escrita do próprio punho em papel de carta e com uma dedicatória. Em 19 de outubro de 1973, numa proposição do então prefeito Ruy Pereira Júnior, a Câmara Municipal de Ceará-Mirim aprovou como Hino Oficial do município a sua composição.

O hino de Ceará-Mirim, no manuscrito abaixo,

foi entregue pelo autor José Luiz

ao Sr. Jadson Queiroz em 11/07/1971.

HINO OFICIAL DE CEARÁ-MIRIM

 

Ceará Mirim da Usina São Francisco

Ceará Mirim da Praia Muriú
Ceará Mirim dos verdes coqueirais

E dos Canaviais
Miragem  do Patú
Ceará Mirim Cidade Brasileira
Ceará Mirim do meu coração
Ceará Mirim da Santa Padroeira:
Nossa Senhora da Conceição

Terra abençoada
Idolatrada
Tão Tropical

Terra da Usina Ilha Bela
Cidade Aquarela

Cidade Natal

 

 

 

A DOENÇA

            José Luiz foi acometido de  trombose, seqüela de um derrame cerebral, que o deixou com o lado esquerdo paralisado e com voz trêmula. Isso o afastou do meio artístico em 1963. Esse fato o trouxe de volta a Ceará-Mirim, mais precisamente para a comunidade de Ponta do Mato. Passou a viver de uma pensão concedida pela municipalidade. Tudo o que ganhou gastou em mesas de bares. Depois, em Ceará-Mirim residiu num quarto de pensão na Avenida Gal. João Varela. Posteriormente quando a doença lhe afligiu mais o corpo, José Luiz foi morar com uma irmã em Natal.

 

A MORTE E O ESQUECIMENTO

            No dia 27 de dezembro de  1982, com  67 anos de idade, José Luiz faleceu no Hospital do Câncer Dr. Luiz Antônio. Sabe-se que o seu corpo foi sepultado no cemitério do Bom Pastor. Seus familiares não sabem a localização do túmulo.

            Comenta-se que José Luiz teve muitas decepções no meio artístico, inclusive com Nelson Gonçalves, que aproveitou algumas de suas composições gravando-as como autoria de outros compositores.

            No bairro das Quintas em Natal há uma rua com o seu nome. No distrito de Ponta do Mato há um Largo e também uma rua denominados Compositor José Luiz.

            Ainda existe em Ceará-Mirim quem não ouviu falar em José Luiz.

 

FONTES

PESQUISA FEITA PELO BLOG CHAMINÉ DE EDVALDO MORAES

FONTE:  MARIA EDNA ALVES FRANÇA E  MARIA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA DANTAS  

BIBLIOTECA PÚBLICA DR. JOSÉ PACHECO DANTAS – CEARÁ-MIRIM

JOSÉ LUIZ DA SILVA

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