JOSÉ LUIZ DA SILVA , AUTOR DO HINO MUNICIPAL DE CEARÁ
MIRIM E PATRONO DA CASA DE CULTURA DE CEARÁ MIRIM
O Autor dessas músicas
chama-se Zé Luiz (José Luiz da Silva: 1915-27/12/1982), nascido em Ponta do
Mato, distrito de Ceará-Mirim/RN, meu grande amigo, meu conterrâneo e meu
querido parceiro. Permaneceu entre nós (Ceará-Mirim e Natal) até os dezoito
anos; quando mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde serviu o Exército,
cumprindo a sua obrigação com o serviço militar obrigatório.
Na cidade Maravilhosa e no Exército, conheceu a figura
também nordestina de Luiz Gonzaga (ainda em início de carreira ), que lhe deu
apoio para o início de sua nova e desejada vida artística.
Sua facilidade de tocar violão lhe abriu as portas para conhecer
famosos músicos da época e iniciar sua carreira de compositor.
Teve momentos de muitas dificuldades financeiras, tendo que
trabalhar pesado, ganhando muito pouco para se manter no Rio de Janeiro,
chegando a dormir em verdadeiros muquifos, onde compunha suas letras musicais e
as vendiam a preço de “banana”. Pior ainda, era usado por “aproveitadores”,
que, munidos de suas composições melódicas em nome próprio, nada lhe
recompensavam financeiramente.
Gravou em 1949 o samba “Cremilda”, interpretado pelo cantor
Moreira da Silva, quando ganhou o Concurso Oficial de Sambas e Marchas de
carnaval do Rio de Janeiro, disputando com compositores considerados
verdadeiros monstros sagrados da música brasileira: Ary Barroso, Braguinha e
Ataulfo Alves. Em 1954, gravou a música “Trabalha Mané”:“É tão bom levantar
cedinho/ Tomar um cafezinho com manteiga e pão/ Sair para o trabalho sem perder
o trem/ Você sabe que a barriga não espera por ninguém”; interpretada por
Claudete Soares, Os três do Nordeste e Os Cangaceiros, grupo musical do qual o
próprio Zé Luiz fez parte.
Participou de várias produções cinematográficas dirigidas por
Mazzaropi: “Fuzileiros do Amor”; “O Cangaceiro” de Lima Barreto, “Fazenda do
Ingá” e “O Grande Pintor”, essas últimas com o famoso comediante Ankito. Compôs
com o seu conterrâneo, amigo e parceiro Tita, o Hino de Ceará-Mirim,
oficializado pela Câmara Municipal em 19 de outubro de 1973, na gestão do
Prefeito Ruy Pereira Júnior.
Em 1963, já estava de volta em Natal, depois de ter
sofrido um acidente vascular cerebral (AVC), no Rio de Janeiro, episódio que
lhe rendeu uma sequela motora, com perda parcial dos movimentos do hemicorpo
esquerdo, inclusive com distúrbios na voz. Faleceu no dia 27 de dezembro de
1982; pobre, esquecido e muito pouco divulgado no meio musical local e
nacional. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério do Bom Pastor, onde
repousa como mais uma vítima do esquecimento do injusto e ingrato mundo comum.
Como um bom apreciador,
curioso e apaixonado pela música de boa qualidade, começo a fazer algumas
indagações sobre famosos e velhos seresteiros dos bons vividos tempos.
– Tita, você conhece alguma coisa do famoso intérprete alagoano, conhecido como
“A Patativa do Norte”, o inesquecível Augusto Calheiros? Os seus olhos
brilharam! A emoção tomou conta do seu semblante. Fiquei surpreendido e curioso
com a reação do bom violonista. Alguma coisa tocara o seu coração e a sua
memória com certeza foi estimulada e aquecida.
O silêncio dominou o ambiente, e, de repente, surgiram os
acordes do afinado violão, acompanhado da sua harmoniosa voz:
Vida de Caboclo: “A vida do caboclo na cidade/ É bem triste na
verdade/ Nem é bom de relembrar/ O caboclo vê as coisas diferente/ Alvoroço,
tanta gente/ Que se esquece até de andar…”; Grande Mágoa: “Quando a mocidade me
deixar um dia/ Na solidão sofrendo a nostalgia/ Ao relembrar o tempo que
passou…””; Célia:“ Andei tristonho e solitário/ Subindo o meu calvário/
Carregando a cruz pesada dessa vida”…
Entra então o depoimento de Tita sobre uma simples e
desconhecida figura, responsável por algumas das mais belas composições interpretadas
por Augusto Calheiros: Grande Mágoa, Vida de Caboclo, Célia, Casa de Sapê, que
acabávamos de ouvir na interpretação do bom violonista do Vale.
FONTE – PONTO DE VISTA

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