JOSÉ LUIZ DA SILVA , AUTOR DO HINO MUNICIPAL DE CEARÁ MIRIM E PATRONO DA CASA DE CULTURA DE CEARÁ MIRIM
O COMEÇO
José Luiz nasceu em Ponta do Mato, distrito de
Ceará-Mirim, no ano de 1915. Estudou o primário na cidade e em Natal iniciou o
curso ginasial. No ano de 1933, aos 18 anos, seguiu para o Rio de
Janeiro no navio BAEPENDI, como soldado do Exército, pois devido a situação de
guerra na Europa, as Forças Armadas do Brasil estavam em alerta.
Mais tarde foi mobilizado para São Paulo, Três Lagoas e Aquidaurana.
Sua
aptidão para tocar violão o conduziu a conhecer músicos famosos da época,
principalmente do Rio de Janeiro, onde fixou residência após deixar o Exército.
Quando servia as Forças Armadas conheceu Luiz Gonzaga, que mais
tarde lhe deu uma força no mundo artístico, quando lançou o ritmo
Baião no Café Nice.
O SUCESSO
Em
1937 José Luiz aparece como violinista do cantor Augusto Calheiros, para quem
compôs: “Grande Mágoa” e “Vida de Caboclo”. Também atuou com seu violão ao lado
do grande astro Vicente Celestino, no Brasil e pela América do Sul.
Em
1949 compôs o samba “Cremilda”, gravado por Moreira da Silva e o inscreveu no
Concurso Oficial de Sambas e Marchas de carnaval do RJ, sendo o primeiro lugar.
Disputaram com ele: Ary Barroso, Braguinha e Ataulfo Alves.
Ainda
no Rio, juntou alguns músicos nordestinos e fundou um grupo regional para
acompanhar nomes famosos, entre eles a cantora Ângela Maria, inclusive com
participação no filme de Mazzaropi: “Fuzileiros do Amor”. Participou de outras
produções cinematográficas como “O Cangaceiro” de Lima Barreto, “Fazenda do
Ingá” e “O grande pintor”, estas últimas estreladas pelo comediante Ankito.
Na
década de 50 esteve em Ceará-Mirim o cantor Augusto Calheiros, que ao se
apresentar acompanhado pelo grupo de José Luiz, disse que era com muito orgulho
que ia cantar o seu maior sucesso, da autoria do compositor filho de
Ceará-Mirim. Nesse momento seu talento foi revelado.
José
Luiz costumava todos os anos vir a Ceará-Mirim e realizava shows no Centro
Esportivo e Cultural sem cobrar cachês. Demorava pouco devido a compromissos no
Rio de Janeiro.
O HINO DE CEARÁ-MIRIM
Quando compôs em homenagem a Ceará-Mirim, o hino da
cidade, ele, segundo palavras do amigo Jadson Queiroz, estava com lágrimas nos
olhos e disse que “aquele hino, era a sua maior obra, pois entre tantas que
havia feito, aquela era especial, porque era a prova do seu grande amor pela
terra”. Jadson foi presenteado com uma cópia do hino, escrita do próprio punho
em papel de carta e com uma dedicatória. Em 19 de outubro de 1973, numa
proposição do então prefeito Ruy Pereira Júnior, a Câmara Municipal de
Ceará-Mirim aprovou como Hino Oficial do município a sua composição.
O hino de Ceará-Mirim, no manuscrito abaixo,
foi entregue pelo autor José Luiz
ao Sr. Jadson Queiroz em 11/07/1971.
HINO OFICIAL DE CEARÁ-MIRIM
Ceará Mirim da Usina São
Francisco
Ceará Mirim da Praia Muriú
Ceará Mirim dos verdes coqueirais
E dos Canaviais
Miragem do Patú
Ceará Mirim Cidade Brasileira
Ceará Mirim do meu coração
Ceará Mirim da Santa Padroeira:
Nossa Senhora da Conceição
Terra abençoada
Idolatrada
Tão Tropical
Terra da Usina Ilha Bela
Cidade Aquarela
Cidade Natal
A DOENÇA
José Luiz foi acometido de trombose,
seqüela de um derrame cerebral, que o deixou com o lado esquerdo paralisado e
com voz trêmula. Isso o afastou do meio artístico em 1963. Esse fato o trouxe
de volta a Ceará-Mirim, mais precisamente para a comunidade de Ponta do Mato.
Passou a viver de uma pensão concedida pela municipalidade. Tudo o que ganhou
gastou em mesas de bares. Depois, em Ceará-Mirim residiu num quarto de pensão
na Avenida Gal. João Varela. Posteriormente quando a doença lhe afligiu mais o
corpo, José Luiz foi morar com uma irmã em Natal.
A MORTE E O ESQUECIMENTO
No dia 27 de dezembro de 1982,
com 67 anos de idade, José Luiz faleceu no Hospital do Câncer
Dr. Luiz Antônio. Sabe-se que o seu corpo foi sepultado no cemitério do Bom
Pastor. Seus familiares não sabem a localização do túmulo.
Comenta-se
que José Luiz teve muitas decepções no meio artístico, inclusive com Nelson
Gonçalves, que aproveitou algumas de suas composições gravando-as como autoria
de outros compositores.
No
bairro das Quintas em Natal há uma rua com o seu nome. No distrito de Ponta do
Mato há um Largo e também uma rua denominados Compositor José Luiz.
Ainda
existe em Ceará-Mirim quem não ouviu falar em José Luiz.
FONTES
PESQUISA FEITA PELO BLOG CHAMINÉ DE EDVALDO MORAES
FONTE: MARIA EDNA ALVES FRANÇA E MARIA DO ROSÁRIO
DE FÁTIMA DANTAS

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